Leia o livro “Mãe sempre sabe?” e se comova!

Comentários sobre o livro “Mãe sempre sabe? Mitos e verdades sobre pais e seus filhos homossexuais” de Edith Modesto

Adicionado em: 12/03/2018 Compartilhe no WhatsApp

A professora universitária Edith Modesto, mestra e doutora, com 12 livros publicados, além de pesquisadora especializada em diversidade sexual, mais especificamente sobre relações entre pais e filhos homossexuais, é casada, sete filhos e sete netos e sentiu na pele toda a problemática de ter um filho gay.

Com o trecho abaixo, relata a descoberta de ter um filho gay, no livro “Mãe sempre sabe? Mitos e verdades sobre pais e seus filhos homossexuais”,  considerado um clássico sobre GLTS. O relato, apesar de ser extremamente chocante e até preconceituoso, relata o drama, natural e real, da descoberta de ter um filho gay, vivido por inúmeras famílias no mundo inteiro.

“Quando eu soube que meu filho era gay, senti que aquele não era o meu filho. Era como se fosse uma outra pessoa, um estranho que não tinha nada a ver comigo. Foi como se meu filho tivesse morrido e dado lugar a outro. Era um sentimento sofrido de ‘Esse não é o meu filho; esse não foi o filho que criei!’. Esse período de luto, pelo qual as mães passam, pode durar pouco ou permanecer enquanto nos reinventamos para aceitar aquele ‘novo’ filho que não sabíamos que tínhamos. E o luto é também pelo que temos de matar em nós. Temos de matar partes nossas para aceitar aquele(a) ‘novo(a)’ filho(a). Matar conceitos que tínhamos, maneiras de ser que acreditávamos serem as únicas; temos de matar os sonhos que construímos para ele(a)!”.

“Com 14 anos, meu filho me surpreendeu pedindo para fazer terapia. Eu não lhe perguntei o porquê, sempre seguindo minha conduta de não invadir a privacidade dos meus filhos. Mas tinha certeza de que era algum problema de amor e criei a fantasia de que ele se apaixonara por uma grande amiga que namorava outro garoto. Homossexualidade não era um assunto em que eu pensava”, comenta sobre a surpresa que teve ao ouvir as preocupações do  caçula, que se sentia muito triste e nunca tinha tido namorada, e as evidências que não tinha sequer notado anteriormente, tudo isso foi um passo para a descoberta.

Edith relata, ainda, a emoção profunda que sentiu durante a conversa com o filho, inclusive relata que chorou diversas vezes e que diante da pergunta decisiva que fez ao caçula: “Filho, você não gosta de mulher?” Ele respondeu, depois de alguns segundos, e comovido, “Não!”. “Eu o abracei e combinamos que ele faria terapia porque aquilo devia ser uma fase, algum problema emocional que o estava atrapalhando.”. No entanto, depois de meses de terapia, o filho a procurou novamente e fez uma pergunta: “Mãe, e se a terapia não adiantar?”. Foi, então, que ela percebeu que ele só estava querendo prepará-la para o definitivo em relação a sua sexualidade. Ela respondeu: “Aí, paciência, né, filho? A gente vê o que fazer!”.

Edith conta que, a partir daí, houve um processo na busca da aceitação e esta fase ela considerou como “uma verdadeira operação sem anestesia”. Acreditando que outras pessoas estariam passando por toda essa transformação familiar e individual, ela decidiu fundar um grupo de pais de homossexuais e escrever um livro a partir desses depoimentos.

Fundou então o “GPH - Grupo de Pais de LGBTIs” - L (Lésbicas), G (Gays), B (Bissexuais), T (Trans), I (Intersexo), primeira ONG brasileira para acolher pais que desconfiam ter ou têm filhos LGBTIs. Criada com intuito de suprir a falta de um ambiente seguro e acolhedor onde pais e mães pudessem trocar informações e experiências sobre seus filhos e solidarizarem-se durante o difícil processo de aceitação. Pessoas, com a mesma questão a resolver, sentem-se mais fortalecidas quando conversam entre os que têm o mesmo problema.

Porém, para que o processo realmente se mostrasse eficiente, o GPH também começou a realizar um trabalho com os filhos, tornando-se, então, um grupo de ajuda mútua entre os pais e de apoio aos filhos. É exclusivo para pais e mães e para jovens LGBTIs. O que é conversado durante os encontros é confidencial, sendo considerado um trabalho de acolhimento e ajuda mútua, onde religião e política só são discutidos se houver a temática da diversidade sexual como foco principal.

Em “Mãe Sempre Sabe? Mitos e Verdades Sobre Pais e Seus Filhos Homossexuais”, a autora apresenta, além dos próprios relatos pessoais, os dramas, aceitações e preconceitos, as lições aprendidas com o trabalho no GPH, no atendimento às famílias angustiadas e desesperadas pela descoberta da orientação sexual de seus filhos. É o resultado do trabalho da autora com o acompanhamento das pesquisas teóricas no GPH - Grupo de Pais de LGBTIs e com pais e jovens, no consultório. Foi escrito principalmente para pais e mães, que sabem, ou desconfiam ter filhos LGBTIs, mas todos podem e devem ler. Muito recomendado!

Leia o livro “Mãe sempre sabe?” e se comova!

“Mãe sempre sabe?” é uma obra indispensável a todos aqueles que, de uma forma ou outra, foram tocados pelos temas da homossexualidade e transexualidade (Foto: Divulgação).

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